21 de fevereiro de 2017

E aí? Morreu ou não morreu?

O "defunto"! O "defunto" estava sentado no sofá, ao lado da minha santa avó.

MEMÓRIAS DE MINHA SANTA AVÓ | Certa feita vinha eu e minha santa avó, Elza, da Igreja Matriz do Senhor do Bonfim. Vínhamos em uma determinada rua que sempre tínhamos costume de andar; de repente, de longe avistamos um movimento estranho na casa de uns conhecidos nossos e, como sabíamos que o patriarca da família dos conhecidos estava doente deduzimos que ele havia partido dessa para uma melhor.

 

Então, com muita piedade e solidariedade adentramos a casa do "defunto" a fim de apresentarmos as nossas condolências à família enlutada e fazer uma prece por aquela alma.
Quando já estávamos dentro do recinto, alguns olhares se voltaram para nós, mas não nos importamos, pois, é normal que as pessoas olhem para quem está entrando no mesmo ambiente em que elas estão. Eu olhei logo para o centro da sala e não vi nada! Nem velas, nem cruz, nem coroas de flores, e muito menos caixão com o defunto. Minha avó já foi olhando para dentro dos quartos. Em sua inteligência ela deduziu que o corpo ainda estava no leito de dor e morte. Não havia nada. Então deduzimos que o corpo estava no hospital. Isso mesmo! Só podia estar lá! Eu virei para ela e disse: "Vó, o corpo deve estar na pedra. "Ela me respondeu: "É mesmo meu fí. Vamos sentar e esperar chegar".

 

Quando sentamos no sofá e minha avó foi se informar com a pessoa que estava ao seu lado, que horas o corpo chegaria, qual foi o nosso espanto... O "defunto"! O "defunto" estava sentado no sofá, ao lado da minha santa avó. E detalhe: VIVINHO DA SILVA! Minha avó, num impulso provocado pela admiração do que estava vendo, perguntou ao "defunto", quero dizer, ao senhor: "Seu fulano, o senhor não morreu?" E, antes que ele respondesse o óbvio, nossos olhos se abriram e daí demos conta do mico que estávamos a pagar. Aquilo tudo, na verdade, era um culto evangélico da Congregação Cristã do Brasil, igreja que uma das filhas (que até aquele momento acreditávamos ser católica) do chefe da família, o ex-defunto, estava agora a frequentar.

 

A nossa reação, antes de qualquer pedido de desculpas ou afins, foi sair do local, não porque era outra religião que estava a ser manifestada ali, mas porque a crise de riso que se apoderou de nós era INCONTROLÁVEL. No outro dia, minha santa avó foi até a referida casa pedir perdão à filha do ex-defunto pelo papelão que fizera lá.

 

Tudo esclarecido. Graças a Deus! Porém, sinto vos informar, mas o título de ex-defunto não durou por muito tempo. Deois desse cômico episódio veio a tragédia: o ex-defunto voltara ao seu antigo posto. Dois dias depois, o patriarca daquela família entregara sua alma a Deus. Dessa vez foi verdade. Fui lá me certificar e ainda rezei um Ofício em sufrágio de sua alma. Minha avó não quis ir, não sei porquê.

Bruno Rômulo da Silva | Seminarista da Diocese de Barra residente em Feira de Santana.