27 de outubro de 2017

Caixas do BB são "orientados" a vender Ourocap em detrimento da fila

“A falta de pessoal já é um transtorno que os trabalhadores têm que enfrentar no dia a dia e que sobrecarrega a ponto de adoecer. E agora eles ainda são obrigados a bater metas impossíveis, sob a acusação de baixa produtividade”, ressalta o diretor do Sindicato Jeferson Meira.

Em videoconferência realizada nesta quinta-feira (26/10) para anunciar evento denominado #valorizacap, caixas e gerentes de módulos do Banco do Brasil da PSO II foram "orientados" a vender, nesta sexta-feira (27/10), produto de capitalização em troca de ingressos para cinema.


A meta de venda é para caixas do setor de apoio, não da área negocial. São 60 títulos, sendo dois por agência.


Com a imposição, um problema que os bancários e clientes enfrentam diariamente foi ignorado: o das longas filas, aumentando ainda mais o estresse e a tensão entre clientes, usuários e funcionários, situação que chega às vezes a agressões e tumultos dentro da agência.


A ordem, segundo as denúncias que chegaram ao Sindicato, é de que os bancários cumpram as metas de vendas não se importando com o atendimento e o sistema de gerenciamento das senhas que controla o tempo de espera e de atendimento.


O mais controverso é que esse é o sistema pelo qual os caixas são cobrados pela “demora” no atendimento. Isso sem contar os riscos de diferenças no caixa que o próprio funcionário tem que pagar, se houver.


O recado é claro: “amanhã não importa o tempo de fila nem o de atendimento. Podemos demorar o que for, desde que seja para vender Ourocap. Quem quiser, que espere”, diz um dos bancários que reclamam da “orientação”.


“Só que sempre somos cobrados pelo GAT, tempo de espera e de atendimento. Todo dia mandam essas estatísticas por e-mail, mostrando os percentuais de atendimentos dentro e fora do limite de tempo de espera etc.”


O GAT é o gerenciador de atendimento.


Os funcionários reclamam ainda que são postos à venda produtos desnecessários e que o desvio de função que a prática caracteriza pode acarretar em diferenças na contabilização, as quais são obrigados a pagar.


“A falta de pessoal já é um transtorno que os trabalhadores têm que enfrentar no dia a dia e que sobrecarrega a ponto de adoecer. E agora eles ainda são obrigados a bater metas impossíveis, sob a acusação de baixa produtividade”, ressalta o diretor do Sindicato Jeferson Meira.


“As atividades do caixa devem ter como foco principal o atendimento eficiente aos clientes, sendo ele responsável pelas operações efetuadas nos terminais de caixa”, complementa o dirigente sindical.  


“Devido a isso, é uma função eminentemente técnica, não é negocial. Os procedimentos são muitos e não admitem falhas”, declarou um caixa que terá sua identidade preservada.

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