Inaldo Brito | Assistente Administrativo do Serviço de Manutenção da Hemobrás, Graduando em Gestão Financeira – UNINTER; Técnico em Administração. Contato: inaldobnunes@hotmail.com.
19 de outubro de 2018 | Inaldo Brito

Quem é pródigo não progride

Se não houver controle no que se gasta, a tendência é não haver nem o que gastar

Sabemos que o Brasil é famoso por gastar bastante com serviços públicos, e gasta muito mal. Essa é a constatação de qualquer um que com um pouco de sinceridade lê o relatório do Banco Mundial, intitulado “Um Ajuste Justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil”. O relatório, além de expor a forma estulta como o país utiliza o erário, pontua certas medidas que fariam com que as contas se reequilibrassem, caso sejam bem empregadas.

 

Ajustar as contas públicas é uma das principais tarefas para o novo presidente, ainda que nos últimos tempos os políticos e planejadores insistam que ainda possuímos um poço sem fundo de onde retiramos mais e mais dinheiro. Apesar de haver muitos que não aceitam um teto de gastos para o governo, com a justificativa de que tal atitude pode travar certos serviços públicos (e aqui eles apelam para o setor da educação e saúde, principalmente), qualquer pessoa em sã consciência sabe que numa casa não se pode gastar mais do que se ganha, e o que dirá no que diz respeito a um país.

 

Colocar um limite nos gastos não quer dizer que dinheiro não será repassado aos setores básicos da sociedade, pelo contrário, será estimulado um uso mais consciente do erário. Todos os anos o governo divulga o seu plano orçamentário, que visa justamente fazer um levantamento ou projeção sobre os possíveis gastos que serão feitos durante o corrente ano. Ou seja, em tese, já temos um “teto” de gastos. O problema é que toda vez que se está prestes a ultrapassar esse limite estabelecido, propõe-se medidas provisórias a fim de que se possa “ampliar” o limite, ficando a cargo do Congresso Nacional tal aprovação. E já sabemos o que acarreta: políticos que representam certos grupos fazem lobby para que mais dinheiro seja disponibilizado e, assim, segue-se a gastança.

 

O que é preciso ter em mente é que cada vez que o erário é repassado para um determinado setor, o governo precisa arrecadar de algum lugar mais dinheiro para tentar reequilibrar aquele gasto. E, geralmente, o que ele faz? Cobra mais impostos (seja aumentando os já existentes ou criando-se novos). E nem adianta espernear de que isso é injusto – o que até concordo. O problema é o cidadão querer que o governo continue elevando ou ultrapassando os limites de seus gastos simplesmente por achar que algum “direito” precisa ser salvaguardado sem nenhum tipo de critério. O que acontece, na prática, é que se perpetua uma mentalidade pródiga, onde é mais importante manter a fonte jorrando do que controlar a torneira. Você, que é pai de família ou dona de casa, sabe que se em seu lar fosse utilizado esse método, sua família, mais cedo ou mais tarde, estaria no olho da rua.

 

O interessante é que boa parte dos políticos não reflete sobre o limite de tais gastos, pois já se entorpeceram com o poder e transformaram o cargo público em profissão permanente. E já que há uma passividade do eleitorado em conhecer as funções de seus representantes, bem como sobre as consequências futuras em se gastar mais do que se arrecada, o político profissional saberá jogar com tal ignorância. O problema é que quando a fonte estiver secando, o político já estará com suas reservas bem gordas e pronto para pegar o primeiro voo para fora do país dando a este uma singela banana. Se não houver controle no que se gasta, a tendência é não haver nem o que gastar. E quem você acha que vai segurar esse abacaxi?
19 de setembro de 2018 | Inaldo Brito

Privatizar para crescer

A turma que braveja “Privatizar faz mal ao Brasil” não está interessada que o PIB aumente ou que a renda pessoal do cidadão seja melhor.

Em pesquisa recente realizada pelo instituto Ipsos, constatou-se que mais de 60% das pessoas pesquisadas são contra privatizações, e esse número passa dos 70% quando o assunto é Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica – as tão propagadas empresas “estratégicas”, por políticos e seus asseclas. Convém-se dizer que tal resultado revela muito mais um desconhecimento dos benefícios em se privatizar estatais do que, de facto, reconhecer que tais empresas desempenham papéis importantes na sociedade. Boa parte da população se esquece de que o fato de haver tantas linhas telefônicas e celulares hoje é consequência da privatização da Telebrás no começo dos anos 90.

 

É notório que a forma como tais empresas devem ser privatizadas é de suma importância. Cada caso deve vir com estudos e análises de risco, tal como aconteceu com outras companhias no passado, como Embraer e Vale. Infelizmente, o cidadão erra por não pesquisar tais fatos. Pessoas que dizem que “Privatizar a Chesf é fazer secar o rio São Francisco” brincam com o sentimento de uma população que lê pouco e é influenciada por matérias sensacionalistas e políticos aproveitadores. Muitos desconhecem que foi justamente o controle estatal e o uso desenfreado de recursos naturais, por parte deste mesmo Estado, que causou a seca do mar de Aral, no apogeu da antiga União Soviética. Se desastre semelhante fosse motivado por uma empresa privada, certamente ela não iria somente ser punida judicialmente, mas também correria o risco de falir – algo impensável para empresas públicas.

 

Quando se pesquisa mais sobre os benefícios da desestatização de empresas do governo, vê-se um grande crescimento econômico no setor, bem como um aumento na produtividade da empresa privatizada. Políticos se aproveitam da ignorância das pessoas e escondem tais fatos. Infelizmente, tais indivíduos transformam o populacho em zumbis, que perpetram diariamente que “o petróleo é do povo”, ou que “os Correios é patrimônio nacional”. O que os políticos não lhes contam é que tais empresas não pertencem ao povo, mas sim ao Estado. É só unir o tico com o teco para entender por que políticos e partidos consideram essas instituições como “estratégicas”: é para manterem o cofre sempre aberto, de onde retiram suas percentagens nas licitações superfaturadas, ou utilizá-las como moeda de troca em campanhas eleitorais.

 

A turma que braveja “Privatizar faz mal ao Brasil” não está interessada que o PIB aumente ou que a renda pessoal do cidadão seja melhor. O que eles querem é apenas manter seus salários astronômicos, sem a necessidade de colocar a mão na massa de verdade. O que eles querem é ganhar o dinheiro dos impostos que você paga, sem a necessidade de eles mesmos cumprirem as horas por absenteísmo. O que eles querem é continuar desfrutando da estatal como se fosse um clube de veraneio. Afinal, como tão bem pronunciou Milton Friedman, em seu livro Livre para escolher: “Quando alguma coisa é de todo mundo, ela não é de ninguém, e ninguém tem interesse em manter e melhorar as condições de tal coisa.

21 de agosto de 2018 | Inaldo Brito

Bem-vindos à pátria deseducadora

Não possuímos sequer a autoeducação necessária para identificarmos o mau-caráter que bate à nossa porta prometendo o impossível e solicitando votos.

É fato que a educação no Brasil não é das melhores. O desempenho no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e no PISA (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) tem piorado a cada avaliação. A pátria educadora, que muitos dizem sermos, só atende às necessidades daqueles que estão no poder e carecem cada vez mais de um eleitorado “idiotizado”.

 

Não possuímos sequer a autoeducação necessária para identificarmos o mau-caráter que bate à nossa porta prometendo o impossível e solicitando votos. Contentamo-nos em ter Carnaval todos os anos, e talvez seja um dos fatores que mostram o porquê não temos o nível de educação esperado para se ganhar um Nobel – se bem que devido à mediocridade fomentada na educação hoje, o que menos se pretende é demonstrar que alguns possuem mais conhecimento e inteligência que outros. Em suma, o pão-e-circo é mais valorizado que o ABC.

 

Do ensino básico à universidade, a educação tem sido orientada, em sua maioria, por um viés ideológico marxista. O próprio Paulo Freire dizia que a educação nunca é imparcial, é sempre política, sempre um movimento de doutrinação para criar os futuros “revolucionários” contra a elite dominante. O problema com esse tipo de abordagem é que em vez de criar seres pensantes e racionais, ele cria militantes cegos e surdos, utilizados como massa de manobra e manipulados por aqueles que lhes orientam. Não é de se admirar que muitos professores possuam um flerte com partidos que seguem esse mesmo tipo de ideologia, beirando o ativismo, tentando cooptar seus alunos para os movimentos que eles integram, seja por coerção ou barganha.

 

Por certo, professores são mal remunerados e isso causa ainda mais indignação por parte da classe. O seu sindicato organiza paralisações e greves para exigir aumentos salariais, mas nem sempre suas demandas são atendidas. Prova que a educação, apesar de ser direito básico expresso na Constituição, não é valorizada nem pelo próprio Estado que a mantém. Mas o que é incongruente é que os sindicatos se preocupam mais em exigir aumentos na folha de pagamento do que com os próprios rumos da educação. Nada novo no país em que muitos exigem direitos e poucos conhecem os seus deveres.

 

A pedagogia freiriana trouxe o que há de mais pueril na educação, orgulhando-se das centenas de analfabetos funcionais formados com sua didática, nivelando as turmas sempre por baixo. Alçado à figura de patrono da educação brasileira, Paulo Freire conseguiu transformar analfabetos em pessoas que idolatram a mediocridade e o comodismo educacional.

 

É esse tipo de (des)educação que, se por um lado, elege políticos semi-analfabetos, carismáticos ou populistas – alguns que nem gostam de ler –, perpetua famílias no poder ou mantém as disputas políticas sempre com as mesmas figuras se alternando no governo, por outro, diz odiar esses mesmos políticos, mas ama o intervencionismo estatal. Bem-vindos à pátria deseducadora!
20 de julho de 2018 | Inaldo Brito

O amor à obsolescência atravanca o progresso

A título de exemplo, a rede Walmart já sinaliza implementar, no Brasil, caixas eletrônicos para o processamento das compras.

Com todo o avanço tecnológico que obtivemos nos últimos 150 anos, ainda assim é possível ver pessoas temerosas devido à perda de empregos por conta da substituição tecnológica em suas funções. Tal temor é até compreensível, mas não deveria ser motivo para se impedir o progresso e, consequentemente, a melhora na condição de vida da sociedade.

 

Milton Friedman, Nobel de Economia, em visita a China comunista observou a construção de um dique nos arredores da capital e notou que os trabalhadores usavam apenas pás e picaretas na obra. Nenhuma máquina para o serviço. Ao interpelar o guia do porquê não utilizar máquinas para o serviço e concluir de forma mais rápida a obra, seu guia lhe informou que isso faria grande parte dos trabalhadores perder seus empregos. Ao ouvir isso, Friedman replicou: “Eu pensava que vocês queriam construir um dique em vez de apenas distribuir empregos. Se é pra manter empregos, então é melhor tomar as pás e picaretas e lhes entregar colheres.”

 

Qualquer desenvolvimento industrial pode trazer consigo a perda de certos empregos. No entanto, apenas aqueles que se acomodam com o status quo se prejudicam. Sempre haverá os que aproveitarão a situação para também evoluírem em suas funções. O acendedor de lampião deve ter ficado bem temeroso quando a lâmpada foi inventada. Se naquela época houvesse um sindicato, como os muitos que têm hoje no Brasil, talvez a implementação do invento seria engavetada. Tudo para se manter a função de acendedor de lampião. A sociedade é sempre a mais prejudicada quando não há avanços tecnológicos.

 

A título de exemplo, a rede Walmart já sinaliza implementar, no Brasil, caixas eletrônicos para o processamento das compras. O próprio consumidor, se assim ele quiser, poderá fazer a atividade que hoje é realizada por funcionários. Algumas pessoas podem achar que isso causará desemprego. E, de fato, sim, isso irá acontecer. Desemprego para uma função que pode se tornar obsoleta, como foi um dia a do acendedor de lampião. O caixa que perderá seu emprego terá que procurar novos empregos, novas funções, novos desafios. O problema é que muitos já se acomodaram à função de caixa. Não continuaram seus estudos, não se especializaram, não se qualificaram para atingir novos patamares na própria empresa em que exercem tal função. Vivem como se estivessem em um regime de castas: entrou para ser caixa; aposenta-se sendo caixa. Nunca pensaram em se tornar supervisores, gerentes, diretores e, oxalá, presidentes da empresa.

 

Ao receber uma notícia da substituição de funcionários, em seus empregos, por máquinas e softwares que agilizem o processo para o consumidor, as pessoas dizem que isso deveria ser proibido para que empregos sejam mantidos. Pelo mesmo raciocínio, então, essas mesmas pessoas também deveriam ser proibidas de utilizar veículos para se locomoverem, TVs para se entreterem e celulares para se comunicarem, haja vista que para todos esses inventos, outras pessoas tiveram que perder empregos e adaptarem-se ao mercado. No Brasil, o progresso e o desenvolvimento insistem em ser barrados pela manutenção estatal da obsolescência e do atraso, que são os pilares do espírito sindicalista, nacionalista e protecionista de muitos simpatizantes.
18 de maio de 2018 | Inaldo Brito

Hipocrisias (des) governadas por uma ideologia

Na mente hipócrita é assim: socialismo pra vocês, capitalismo para mim

Existe um termo que deveria ser o meio para medir o índice de rejeição e aceitação de um político, e ele se chama hipocrisia. No entanto, como realizar tal análise se a maioria da população cai nesse mesmo erro?

 

Vemos quase que diariamente políticos de partidos socialistas e sociais-democratas prezando por defender com unhas e dentes o desarmamento populacional civil. O político e seus asseclas creem que defender a posse e o porte de armas seria entregar uma arma a cada pessoa sem nenhum tipo de critério para tal. Não sabemos se tamanha reflexão provém de má-fé ou de ignorância mesmo. Entretanto, vemos que ele se torna um hipócrita quando, ao defender o desarmamento, confia sua integridade física a seguranças ARMADOS ou fomenta que um certo Movimento pegue em armas, se necessário, para defender o seu “messias” populista, caso ele seja preso. Desarmamento pra vocês, segurança armada e milícia para mim!

 

Vemos também algo parecido quando políticos defendem mais “investimentos” de dinheiro público nas escolas e universidades públicas, hospitais públicos, transportes públicos e qualquer serviço que se enquadre como público, embora eles (os tais políticos), na mínima doença que o acometem, buscam hospitais privados, matriculam seus filhos em escolas particulares – isso quando não acabam enviando seus filhos para estudarem em universidades estrangeiras –, utilizam carros particulares ou Uber para seus trajetos ao trabalho, entre outras dissiparidades. Infelizmente, nesse caso, tal comportamento acomete até mesmo muitos funcionários públicos, que vestem a camisa do setor público para exigir privilégios transformados em “direitos” e que são contra a qualquer tipo de privatização de empresas públicas, mas se entregam quase que de corpo e alma aos serviços privados. Público pra vocês, privado para mim!

 

Tal comportamento hipócrita vem à tona também quando certos intelectuais orgânicos de um partido – artistas, cantores e todo tipo de formadores de opinião – vão às ruas defender menos utilização de carros e motos, com a justificativa de se reduzir a emissão de gases poluentes à camada de ozônio, mas voltam para suas residências utilizando os mesmos veículos que protestavam contra sua utilização.

 

E como exemplo final, mas não menos importante, podemos ver o mesmo procedimento naqueles defensores de medidas socialistas na economia e que crucificam o sistema capitalista como explorador e selvagem, guiados pela luta de classes do marxismo. Esses se arvoram na pretensa ideia de que qualquer coisa que remeta a lucro ou bens de consumo é ultrajante para os menos favorecidos. Levados por um ressentimento pueril, eles advogam o socialismo como o verdadeiro sistema econômico eficaz para um país, só se esquecem de informar as consequências drásticas que o socialismo proporcionou em países que o adotaram. Como exemplo, é só olhar para a Índia de Gandhi, a Venezuela de Chávez, a Cuba de Fidel, a China de Mao entre outros semelhantes. E o comportamento hipócrita de tais defensores do socialismo se revela com toda sua pompa quando em suas viagens ao estrangeiro, muitos deles preferem ir a países capitalistas (vejam só!) e se esbaldam na compra de seus iPhone’s, iMac’s e todo tipo de produto que países capitalistas propiciaram à sociedade em geral, mas nem se dão ao trabalho de visitar ou passar férias em qualquer dos países socialistas espalhados pelos continentes. Na mente hipócrita é assim: socialismo pra vocês, capitalismo para mim.