21 de novembro de 2016

Que amor é esse?

O amor que falamos por aqui banalizou, virou palavra fácil, frágil e incoerente!

Um dito tão admirável, “amar”, “amor”, “minha terra”, soa tão bem, que transcende Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Cleópatra e Marco Antônio, dentre tantas outras histórias apaixonantes, tão conhecidas na história, na literatura, ou na ficção. Reparo que essas impressionantes e marcantes relações têm a ver com dois lados.

 

Concebemos tais relações como um afeto maior por algo, que se defende, se luta a favor, se chora, sorri e, como numa só carne, se funde como o magma e a rocha.

 

“Eu amo Gentio do Ouro!”

 

Esta tem sido uma frase muito recorrente ultimamente em nosso Município. São ditas aos quatro cantos, ao vento, ao léu. De todas as formas. Aparentando uma apropriação sem tamanho entre o filho e a terra (filho da terra) que, ao tamanho que se propaga tal frase parece gritar em alto e bom tom, que é um amor tão grande, tão intenso, que se compara aos amores mais conhecidos, citados acima. “Como seria bom, essa tal intensidade para cuidar da amada terra Gentio!

 

O amor que falamos por aqui banalizou, virou palavra fácil, frágil e incoerente!

 

Porque amar uma cidade, um município, é cuidar das escolas, das ruas, da limpeza, das estradas, das praças, das quadras, do hospital e, efetivamente, do seu povo.

 

Que amor é esse que não paga os salários em dia?
Que amor é esse que deixa escolas vazias, um mês antes do término das aulas?
Que amor é esse que deixar faltar? Que amor é esse que não cumpre com suas obrigações?
Que amor é esse que só foi por um período exíguo?
Que amor é esse que me faz pensar, que ele somente existe se algo me convier?
Que amor e esse que prefere que tudo dê errado, que dificulte o aprender de um filho, sobrinho, ou que não tenha um recurso médico aqui, só porque não escolheram o que me favorecia?

 

Este amor aí, é como Deus e o diabo!

 

Preferimos os adversários, os contrários, as objeções, mas inda assim, amam e zelam por nossa terra, amada Gentio do Ouro, sem se confundir, sem se contradizer.

 

Karlla Forth - colaboradora do Pagina Revista.