Nunca soubemos tanto. Por que continuamos errando muito?

Imagem meramente ilustrativa.

MÔNICA BASTOS | Conhecemos pessoas muito inteligentes. Algumas possuem cultura vasta, memória impressionante e uma capacidade analítica acima da média. Ainda assim, muitas delas parecem incapazes de resolver o problema mais importante: a própria vida.

Tomam decisões impulsivas, adiam projetos por anos, repetem erros que juraram não repetir e, com frequência, veem oportunidades escaparem por escolhas mal feitas. 

Nunca tivemos tantas respostas ao alcance dos dedos, tantos livros disponíveis e tantos especialistas opinando. Em poucos segundos, um celular oferece mais informação do que filósofos e cientistas de séculos passados poderiam reunir ao longo de uma vida.

Ainda assim, basta olhar ao redor para perceber um paradoxo inquietante. Quanto mais informação acumulamos, mais difícil parece distinguir aquilo que importa. Talvez estejamos confundindo conhecimento com sabedoria.

Conhecimento é a capacidade de acumular informações. Sabedoria é a capacidade de dar-lhes direção. O conhecimento informa. A sabedoria orienta.

Podemos dominar datas, conceitos e estatísticas. Ainda assim, podemos fracassar ao tomar decisões importantes, ao administrar as próprias emoções ou preservar relacionamentos.

Porque viver bem exige competências que nenhum mecanismo de busca oferece. Vivemos cercados por pessoas que sabem o preço de quase tudo, mas perderam a sensibilidade para reconhecer o valor das coisas. Sabem quanto custa um relógio, mas não percebem o valor de uma hora ao lado de quem amam.

Dominam mapas e aplicativos, mas já não conseguem responder para onde, de fato, desejam conduzir a própria vida. 

O problema não está na informação, mas na ilusão de que ela, sozinha basta. E ela não basta.

Saber quantas calorias possui um alimento não significa alimentar-se bem. Conhecer os benefícios da atividade física não garante saúde. Ler sobre inteligência emocional não torna alguém emocionalmente inteligente.

Informação amplia a mente. Sabedoria transforma o comportamento.

É importante entender que sabedoria não é consequência automática da informação acumulada. Ela é uma construção lenta, imperfeita e humana.

Não nasce daquilo que apenas sabemos, mas da forma como nos relacionamos com o que sabemos. Quando a certeza deixa de ser confortável e começa a ser questionada.

Talvez seja justamente por isso que pessoas sábias raramente sintam necessidade de provar o quanto sabem. Elas compreenderam algo importante: quanto mais se conhece a realidade, mais evidente se torna aquilo que ainda não se sabe.

No fim, a sabedoria se revela menos pelo que alguém afirma e mais pela forma como vive. Na prudência antes de decisões importantes. Na coragem de mudar de ideia quando necessário. 

Porque informação amplia possibilidades, mas é a sabedoria que dá direção a elas.